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Isabel de Jesus - Guache - Sem Título - 35 X 25 cm
Artista: Isabel de Jesus

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Artista: Isabel de Jesus
Sem Título
Técnica: Guache Sobre Cartão
Dimensões: 35 X 25 cm
 

ISABEL DE JESUS
A senhora dos bestiários
Na Idade Média, os conjuntos de iconografias de animais eram chamados de bestiários. Essas coleções de imagens se caracterizavam pela riqueza de combinações e pelo talento dos seus criadores. Na literatura, o argentino Jorge Luis Borges, em Livro dos seres imaginários, realizou um antológico catálogo de "entes estranhos que a fantasia dos seres humanos engendrou ao longo do tempo e do espaço".
Herdeira dessa tradição, Isabel de Jesus, nascida em Cabo Verde, MG, em 1938, maravilha, desde a década de 1970, os críticos de arte europeus, como Anatole Jacovsky, Louis Pauwels e Selden Rodman, e brasileiros, como Jacob Klintowitz. Seus gatos, corujas e grandes pássaros realizados em guache sobre papel beiram o surrealismo.
Feitos com extremo detalhe, os desenhos transportam o espectador a um universo mágico. As imagens são extremamente coloridas, com cores quentes como vermelho e amarelo. Os animais transitam na fronteira entre o real e o imaginário, evocando, além dos bestiários medievais, o universo indígena e o popular.
Filha de pai lavrador e mãe que mostrava seu talento em lindos cobertores e tecidos feitos no tear, Isabel encontrou nela o estímulo que necessitava para dar asas à imaginação a partir do que via na natureza. Aos sete anos, a família se mudou para Ribeirão do Pinhal, PR, onde conviveu com animais selvagens e índios.
A arte da mãe e o contato com povos da terra ajudaram Isabel a desenvolver um talento inato. Seus primeiros suportes foram a areia e pedaços de papel usados de embalagens de macarrão ou açúcar. Do Paraná, ela foi para São Paulo, onde começou a pintar em 1964, sendo descoberta pela pintora Iracema Arditi, que lhe deu grande apoio e incentivo.
No ano seguinte, Isabel realiza sua primeira coletiva na Galeria Jotadê. Depois, veio o reconhecimento internacional, na Galeria Séraphine, em Paris, e suas obras percorreram Lisboa, Milão, Roma, Londres e Amsterdam, sempre com reconhecimento da crítica. A artista teve a oportunidade de morar na França ou na Itália, mas retornou para São Paulo. Atualmente, mora em Francisco Morato, SP, isolada, mas dando prosseguimento a uma obra que impressiona pela inesgotável capacidade imaginativa. Cada animal que cria não é a variante do anterior, mas uma nova concepção colorida e formal que surge.
A coruja e seus filhos, por exemplo, mostra uma imensa coruja vigiando o ninho. Seus filhotes já estão deixando os ovos, enquanto uma onça, menor proporcionalmente à coruja, já se coloca em posição de comer os recém-nascidos. A narrativa pode ser facilmente visualizada e salta aos olhos pela escolha adequada das cores e pelas formas muito pessoais.
Imagens de grandes pássaros e seres fantásticos – como em Bichos que Deus não criou – dão uma dimensão da falta de limites para a criatividade de Isabel. Considerada pelo crítico Luiz Ernesto Kawall uma artista "chagalina, feérica", Isabel de Jesus ama retratar gatos, seja isolados, em duplas ou trios. Modelos não lhe faltam, já que ela tem oito deles em casa, além de outros animais. Mas ela não se limita àquilo que vê. Quadros como O peixe bola são uma amostra disso, pois a fantasia predomina e leva nossa mente a outras dimensões.
Outra marca registrada da artista pode ser encontrada em vasos de flores muito especiais, em que figuras de animais se avolumam, só podendo ser percebidas se olhados atentamente. O mesmo acontece em imagens como Arco-íris. Os desenhos de Isabel de Jesus não são feitos para ser vistos rapidamente, mas observados em detalhes, como sonhos agradáveis, pois cada mirada oferece novas possibilidades.
Os bichos de Isabel nascem da terra e se multiplicam, dando novas cores à natureza. Gansos encantados, pássaros pensativos, rodas que misturam homens e animais, luzes divinas amarelas que parecem translúcidas e até uma visita à lua convivem com formas poéticas, que evocam sonhos, nunca pesadelos; pontes com o surreal, não com o impressionismo.
Os amigos da artista são os animais. Isabel brinca com eles em todos os sentidos. Na vida que consideramos real, afaga-os e alimenta-os. Sobre o papel, transforma-os naquilo que bem deseja, dando liberdade a uma imaginação privilegiada que torna qualquer tema uma primavera colorida. Para a artista, todas as estações são de flores e, mesmo que bois vermelhos sejam vistos em suas imagens, eles surgem num clima fantástico e alegórico, acompanhados de uma menina que voa entre eles com um vestidinho azul.
Cidades são outro tema recorrente na carreira da artista. Casas e igrejas coloridas são mescladas com pássaros, borboletas e flores, além de bichos reais e imaginados. Sapos e peixes muito especiais também costumam aparecer como seres de um outro tempo e espaço, no qual vale tudo aquilo que a imaginação conseguir criar.
A pintora mineira, que também compõe pequenos, delicados e singelos poemas, cuida da suas imagens com dedicação e primazia de detalhes. Em seus guaches coloridos, ela cria os seus bestiários com extrema paciência e capricho. Seus seres fantásticos mesclam-se a flores, tudo com cores vivas e uma criatividade perceptível em cada traço. Cada ente fantástico estimula a imaginação do receptor e conduz à constatação de que a capacidade humana de criar não tem limites, ainda mais quando a responsável pelo processo artístico é a talentosa mineira Isabel de Jesus, uma autêntica senhora de bestiários contemporâneos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista, crítico de arte e autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP).  
 

Exposições Individuais
 

1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Jotadê
1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Vernon
1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Solarium
1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Voltaico
1968 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Azulão
1969 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Azulão
1971 - São Paulo SP - Individual, no Centro Campestre do Sesc
1972 - Paris (França) - Individual, na Galerie Séraphine
1973 - São Paulo SP - Individual, na Sobrado Galeria de Arte
1980 - Penápolis SP - Individual, no Museu do Sol
1980 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Jacques Ardies
1981 - Penápolis SP - Individual, no Museu do Sol
1983 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Jacques Ardies
1985 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria de Arte Jean-Jacques
1989 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Jacques Ardies
1993 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Jacques Ardies
1996 - São Paulo SP - Poetas e Sonhadores, na Galeria Jacques Ardies
1998 - São Paulo SP - Individual, no Espaço Cultural Banco Central do Brasil
 

Exposições Coletivas
1966 - Curitiba PR - 23º Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná
1966 - São Paulo SP - Salão Paulista de Belas Artes
1969 - Costa Esmeralda (Itália) - Primitivos Brasileiros
1969 - Embu SP - 6º Salão de Artes Plásticas - medalha de bronze
1969 - Santo André SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1969 - Texas (Estados Unidos) - Primitivos Brasileiros
1969 - Washington (Estados Unidos) - Primitivos Brasileiros
1969 - Alabama (Estados Unidos) - Primitivos Brasileiros
1970 - Embu SP - 7º Salão de Artes Plásticas
1970 - Lisboa (Portugal) - Coletiva, no Cassino Estoril
1970 - Madri (Espanha) - Coletiva, no Club de Pueblo
1970 - Santo André SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1970 - São Paulo SP - Primitivos do Brasil e do Mundo, no MAB-FAAP
1971 - Milão (Itália) - Coletiva, na Galeria Borgonuovo
1971 - Salvador BA - Coletiva, na Galeria Panorama
1971 - Santo André SP - 4º Salão de Arte Contemporânea de Santo André - Prêmio Cidade de Santo André
1971 - Santos SP - 1ª Bienal de Santos
1972 - Munique (Alemanha) - Primitivos Brasileiros, na Galeria Holtzinger
1972 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Galeria Vernissage
1972 - Roma (Itália) - Coletiva, na Galeria Feluca
1972 - São Paulo SP - Homenagem a Alan Fischer, na Pocket Gallery
1972 - São Paulo SP - Primitivos do Brasil, no Masp
1973 - Rio de Janeiro RJ - 22º Salão Nacional de Arte Moderna
1973 - Santo André SP - 6º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1974 - Santo André SP - 7º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1975 - São Paulo SP - Festa de Cores, no Masp
1976 - Montevidéu (Uruguai) - 1º Encontro Uruguaio-Brasileiro de Art Naïf
1978 - Morges (Suíça) - Coletiva, na Galerie Pro Arte Kasper
1979 - Bruxelas (Bélgica) - Mostra, na Galerie Dierickx
1979 - Londres (Inglaterra) - Mostra, na Hamiltons Fine Art Gallery
1979 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Eugenie Villien
1980 - São Paulo SP - Gente da Terra, no Paço das Artes
1981 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Galeria Jean-Jacques
1982 - Morges (Suíça) - Coletiva, na Galerie Pro Arte Kasper
1982 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Jacques Ardies
1983 - Paris (França) - Coletiva, na Galerie Naïfs du Monde Entier
1983 - Thorn (Holanda) - Coletiva, na Galerie Adriana
1984 - Belo Horizonte MG - Volta às Origens, no Palácio das Artes
1984 - Goiânia GO - Festa de Cores, no Museu de Arte de Goiânia
1984 - Nova York (Estados Unidos) - Brazilian Naive Art, na Fundação Cultural Brasileira
1984 - São Paulo SP - A Cor e o Desenho do Brasil, no MAM/SP
1984/1985 - Paris (França) - A Cor e o Desenho do Brasil
1984/1985 - Londres (Inglaterra) - A Cor e o Desenho do Brasil
1984/1985 - Madri (Espanha) - A Cor e o Desenho do Brasil
1984/1985 - Lisboa (Portugal) - A Cor e o Desenho do Brasil
1984/1985 - Roma (Itália) - A Cor e o Desenho do Brasil
1984/1985 - Haia (Holanda) - A Cor e o Desenho do Brasil
1985 - Argel (Argélia) - Peintres Naïfs, no Centre Culturel Français d´Argel
1985 - Penápolis SP - 6º Salão de Artes Plásticas do Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1985 - Rio de Janeiro RJ - Raízes Mineiras, na Galeria Jean-Jacques
1986 - Paris (França) - Brésil Naïfs, na Galerie La Défense Art 4
1987 - Rabat (Marrocos) - Brésil Naïfs, na Galerie Bab Rouah
1988 - Rio de Janeiro RJ - O Mundo Fascinante dos Pintores Naïfs, no Paço Imperial
1988 - São Paulo SP - Mês da Pintura Ingênua Brasileira, na Academus Galeria de Arte
1988 - São Paulo SP - Três Artistas Naïfs, na Galeria Jacques Ardies
1989 - São Paulo SP - Grande Coletiva de Natal, na Galeria Jacques Ardies
1990 - São Paulo SP - Art Naïf - Uma Década Depois, na Galeria Jacques Ardies
1991 - Luberon (França) - Peintres Naïfs Brésiliens, Festival du Sud Luberon, no Chateau de la Tour d´Aigues
1991 - São Paulo SP - Coletiva com Maria Guadalupe e M. Zawadzka, na Galeria Jacques Ardies
1991 - São Paulo SP - Grande Exposição Coletiva de Arte Ingênua, na Galeria Jacques Ardies
1991 - Washington (Estados Unidos) - Brazilian Art Collection, no IMF - Visitor Center
1992 - Piracicaba SP - Ingênuos e Primitivos Selecionados, no Hall do Teatro Municipal de Piracicaba
1992 - São Paulo SP - Coletiva de Natal, na Galeria Jacques Ardies
1993 - Bages (França) - Art Naïf Brésilien, no Le Palais des Naïfs - Musée International d´Art Naïf
1994 - Piracicaba SP - 2ª Bienal Brasileira de Arte Naif, no Sesc
1994 - São Paulo SP - Grande Exposição de Arte Naïf Brasileira, na Galeria Jacques Ardies
1996 - Osasco SP - Expo FIEO: doação Luiz Ernesto Kawall, no Centro Universitário Fieo
1996 - Piracicaba SP - 3ª Bienal Naïfes do Brasil, no Sesc
1998 - São Paulo SP - O Colecionador, no MAM/SP
2000 - Piracicaba SP - 5ª Bienal Naïfes do Brasil, no Sesc
2000 - São Paulo SP - Arte Naïf, na Galeria Jacques Ardies
2001 - Brasília DF - Forma-e-Cor como Luz nos Naïfs, na Galeria Itaú Cultural
2001 - Penápolis SP - Forma-e-Cor como Luz nos Naïfs, na Galeria Itaú Cultural
2002 - Piracicaba SP - 6ª Bienal Naifs do Brasil, no Sesc
2002 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies
2002 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies
2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB
2002 - São Paulo SP - Santa Ingenuidade, na Unifieo
2004 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies
2004 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies
2005 - Brasília DF - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti, no CCBB
2005 - São Paulo SP - Arte Naif, na Galeria Jacques Ardies
2005 - São Paulo SP - Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil-Haiti, no MAB-FAAP
 
 

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